Hoje acordei com a casa vazia e entrei na loucura de andar indo e voltando pelo corredor, ensaiando abraços e conversas que não tivemos. Alguns diriam que perco tempo em imaginar aventuras que o futuro não me garante. Eu já digo que fico grata pelo sorriso na cara despertado pelo simples "oi" numa sexta-feira parada.
Desde que te conheci, adquiri uma capacidade de espera e paz que ainda não havia encontrado em lugar algum. Antes, os amores afobados, corriam os dias desesperados pelo encontro, pelo sinal de amor, pela afirmação eloquente do desejo. Agora, me esqueço e permaneço na espera. Corro os minutos revivendo a corrida que precedeu nosso beijo, escuto com clareza no fundo da memória a melodia doce a arranhada que era a sua voz no início da manhã. E tudo isso me acalma, me pega no colo e me nina. Me sinto embalada por memória fugazes e sonhos impossíveis, que me ajudam a chegar no momento seguinte. Tranquila. Com a gratidão bonita de um encontro que deu certo e me presenteou com sutilezas que a razão não consegue enumerar.
Com sossego eu observo as estrelas no céu, olho pras árvores das ruas, descubro no asfalto quente no chão flores caídas e registro fotos pra te mostrar algum dia. Passo pelas velhas ruas vendo nos rostos desconhecidos um pedacinho de você, no rapaz da praça eu vi suas costas, no moço da biblioteca a sua barba, naquele outro da lanchonete o seu sorriso. E até vendo Tv, te vi ali na tela, inquieto com a situação política e agitado por mudanças.
Esquizofrenia?
Não.
Amor.
Nenhum comentário:
Postar um comentário