sábado, 19 de março de 2016

Segmento

Tenho refletido sobre o tempo e sobre sua sincronia com a vida. É a vida que vai entoando os acordes no tempo certo? Ou o tempo que me diz a hora de entrar na vida? Os minutos são frações imaginárias que delimitam a organização da pulsão. Pulsa o pulso. A batida dos passos. O piscar dos olhos. O transbordar de pensamentos. Mas ainda assim, inerte o corpo vaga pelo espaço.
Logo que começa a semana, preencho o coração de esperança, de que a vida me invada e mude os rumos dos passos. Transito pelas lacunas dos dias, esticando as pernas e agachando, sentindo fome e logo matando o que não se mata. A angústia de tando ser processada no mastigar dos dentes, já foi integrada nos meus músculos e quase já não dói. E nas esquinas o tempo me encara, me invade na certeza de dilacerar minha existência transitória. Fujo nos passos apressados da vida, que me empurra para outros lugares, que não sei pra onde vão, onde começam nem terminam. Apesar da organização cartesiana do tempo e  a despeito do pragmatismo da rotina, não estamos salvos da loucura e do profundo medo do que vem em seguida.

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