domingo, 27 de setembro de 2015
Vazio
Não conheço ser humano que não tenha se deparado com o vazio em uma tarde de domingo, que não tenha sentido fincar lá no fundo do peito a dúvida diante da vida e a infelicidade por não encontrar uma resposta. Esse vazio que chega doer e que nenhum objeto poderia preencher, é o vazio que nos faz lembrar que somos esse cisquinho, essa coisinha que chega dar dó. A dor maior talvez seja saber que os outros são oceanos intocados, prontos para serem desbravados, e que mergulhar nessa imensidão, é se entregar a possibilidade de naufragar. Queria me naufragar também nos seus vazios, para ver se esse meu vazio acalma um pouco. Hoje eu senti uma vontade de chorar, por saber que talvez já não haja volta, que eu sabia que não deveria ter ido longe, mas acabei indo, fui sendo guiada pela sua mão e você mergulhou e sumiu. Me deixou ali, no meio do oceano sem saber o caminho de casa. Agora eu imploro, que pelo menos me ajude a volar pra terra firme e que me deixe só afogada nos meus vazios.
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