segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
Rotação
Nos últimos dias me pesou a vagareza do movimento de translação da Terra. Questionei-me de como a pobrezinha não se enjoava da própria rotação, girando e girando ao redor do Sol. Repetindo histórias com seus homemzinhos e recontando as horas que eles dormem e acordam de ponta em ponta. Acho que senti a tristeza da Terra que tem atravessado milhões de anos, observando esses pequenos pisoteando e guerreando nos seus solos, aguando sementes secas com lágrimas frias. Me pesou toda a existência de uma raçazinha que esbraveja a intensidade do sol e logo em seguida pragueja a chuva que atrapalha o fluxo de carros. Abracei o chão frio, procurei um punhado de terra pra apertar meus dedos, busquei chão úmido dos campos, gastei minha pele fina no asfalto quente. Tudo na tentativa do legítimo contato com suas profundezas, pra que lá no fundo eu pudesse abraça-la e dizer que isso também tem me pesado. Que entendo que a repetição de horas e estações é a forma que lhe coube viver, porque o Sol atrai à ela com todas suas forças e que nada resta fazer, se não produzir flores com sementes bonitas e animais exuberantes pra presentear o Universo. Á mim, também me cabe viver repetindo refeições, suspiros e tropeços. Queria as vezes produzir flores por aí , mas não tenho terra nem paciência pra esperar brotar. Já vou logo correndo e esparramando tudo pelo vento. Nesses dias, de tão entediada com as horas que iam e voltavam, resolvi mudar meus caminhos e o máximo que consegui foi dormi de ponta cabeça na cama. Não esbravejei, nem praguejei, não repeti minhas lágrimas e nem pisoteios. Com calma tenho observado o Sol e esperado, que algum encontro mude meu eixo de rotação.
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