sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Retrato

Eu que passei a semana toda contendo demonstrações de afeto me peguei combinando nossos sobrenomes. Como quem não quer nada , em tom irônico, eu menti sobre como seríamos bonitos juntos e como nossa foto daria certo num porta-retrato. Eu menti com uma crise de riso, dessas bem debochadas, ao planejar nosso casamento, nos seus detalhes simplórios e aconchegantes. Eu zombei de nós, falando sobre como nossa história era tortuosa e sobre como é arriscado imaginar que daria certo. A verdade é que me deitei e esperei os pensamentos fugirem de você. Deitei, esperando o esquecimento tomar conta de mim, até que você não estivesse mais aqui. Mas meus músculos se sacodem gritando pelo seu nome. Eu estremeço toda vez que me lembro do seu cheiro. E as vezes acho tudo isso uma completa bagunça. Você não tinha o direito de gostar de mim, eu que nem estava lá. Eu que não te seduzi, eu que sequer imaginava o que se passava por trás dos seus olhos misteriosos. Eu que estava lançada em um experiência analítica, minha missão era quase que sentar e observar o fluxo das pessoas. Mas ninguém sai ileso. Meus dias não sairiam ilesos.

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