sexta-feira, 21 de agosto de 2015
21/08/2015
Hoje abandonei meus velhos diários,devido a infortúnios domésticos. E retomo esta página, esperançosa que estes escritos me acalmem em algum futuro e que fiquem na eternidade.
Sempre tive medo que as palavras colocadas na internet se perdessem em alguma guerra ou explosão nuclear, se perdessem na confusão do processamento de dados e que as letras nunca mais retornassem. Mas venho aqui com a esperança de ter mais privacidade. E recordo de como é engraçado esse registro, a velocidade dos dedos em sintonia com os pensamentos. Não é a mesma coisa, escrever aqui e no meu diário. No diário há alguma confissão adolescente, um diálogo infantil que se perde na grafia torta e confissões exageradas. Por aqui, me resta uma sobriedade, uma necessidade de ser mais do que risos juvenis. Por aqui, encontro em mim esse personagem de bossa nova, que escreve em devaneios,com voz de poeta, com o charuto meio aceso e com a meia-luz sobre o teclado. Vou ter que me acostumar com este velho em mim e me despedir da menina que de joelhos no chão, em frente ao espelho, dava risadas de amor.
Ultimamente, tenho me sentido extremamente feliz em passar os dias inventando cenas. Você fica por ai, meio distante de mim, me olhando com estes olhos que não sei decifrar. Você pega um violão e começa cantar, meio rouco, com a voz falha. Enquanto eu, extremamente preguiçosa, penso na constituição do sujeito, nos símbolos culturais, na castração e édipo. Misturo mapas astrais, me canso e tomo um café. Você vem, meio que de mansinho, me dá um beijo molhado e acelera meu coração.Tudo em silêncio pra não deixar escapulir os sentimentos. Eu retomo o ar e me deparo de novo, com você. Impenetrável e aconchegante. Olho pra parede, penso no céu, me questiono a vida.Solto uma piada meio torta para ver o seu sorriso. Paro por aqui. Fico perdida nessa história sem saber o que vai vir. Mas ao menos, feliz, com o coração saltitando, minha veia poética ressurgindo e com a esperança da primavera.
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