Acordou caída no chão da floresta, o gosto de pecado na boca, as castanhas esparramadas pelo chão, o gato de botas fitando-a de longe.
-Onde estou?
-Estas presa em um sonho, nunca mais voltará!
Não compreendia, se era sonho havia de acordar...fechou os olhos,fez força para abri-los em outro lugar, mas não funcionou.
A lama cobria seus pés, suas mãos estavam frias como a floresta, o vestido sujo e na boca...o gosto indescritível do errado.
Zonza com os olhos embaçados, recordou-se dos últimos pensamentos antes de desacordar,
"O proibido me agrada, ninguém nunca me proibiu jiló e remédio. Sei que o errado tem gosto doce e efeito anestésico."
Pagar o preço era o que restava. - O que será de mim? - Perguntou ao gato de botas. E ele com seus olhos negros autoritários e voz suave como uma sentença, respondeu:
-Ficará presa no mundo da fantasia, está agora dependente destas nozes e fora daqui não as encontrará. Você sabia do perigo e foi guiada por ele, agora não tem volta minha pequena.
Quando encontrou a lucidez, resolveu aceitar os fatos. "Estar presa a essas castanhas não há de ser tão ruim". Levantou-se e entregou a própria liberdade ao que agora lhe enchia os bolsos.
No céu, o sol se escondia atrás da tempestade. No chão, as trilhas apontavam qualquer direção.
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