terça-feira, 8 de setembro de 2015

entrelinhas

No contorno das linhas conseguia elaborar os conteúdos mais profundos. Antes das linhas pautadas, eram as linhas no chão de terra, eram os limites da calçada, as faixas demarcando o fluxo dos carros e os fios no alto separando passarinhos. Vivia cercada por linhas, que iam ao longe no infinito esperando se encontrar, mas esse era o destino delas. Foi guiada pelas linhas: Entre! Como uma ordem de boas vindas. Um fique a vontade, pra sentir o calor daqui quando entro. E me permito deitar pra observar a fumaça que umidifica o ar. E desfaço nós simbólicos, dou risadas, dessas que você nunca vai saber se é nervosismo ou alegria, reconto contos da infância, digo que não lembro, dou a volta com os dedos cheios de tinta pra repintar o colorido emocional das histórias. Vem aqui cantar comigo. Vem inventar um monstro pra gente esquecer que também é ruim. Vem inventar mentirinhas que de tão boas são verdade. E nesse brincar, vamos desaprender a adultês, nessa ludicidade, vamos ser sérios, nessa alegria trêmula, vamos encontrar quem somos, nesse jogo de realidade que o sonho permaneça.

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